segunda-feira, setembro 24, 2007

Enquanto assobio Trinity.



Semana passada, decidi comer no PF do coreano,
china, japa, sei lá. Um irmão do oriente.
Deixei Trinity, música do Franco Micalizzi
tocando enquanto tomava banho.
Saí de casa com fome, caminhando sem pressa
e assobiando Trinity baixinho.
Esta música tem um quê de esplendor.
Conta a história de um sujeito que
todo mundo achava meio lerdo e
não davam nada por ele, até começar
usar sua arma.

É música de filme de faroeste.
“He´s the top of the west
Always cool he´s the best
He keeps alive with his Colt .45”
 
Bem, voltando a minha caminhada…

Eu estava debaixo de um sol de velho oeste.
Tudo muito abafado.
Os carros soltavam fumaça.
O asfalto salpicava o tornozelo.
A música se tornou um murmúrio
entre meus lábios.

Continuei...

Havia um pedinte sem camisa e sem um braço.
Pedia esmolas com a mão direita.
Um pouco mais a frente,
um homem apoiado numa mureta, sem a perna direita.
Parei no sinal para atravessar a rua.
Um pombo esfacelado a poucos segundos no
asfalto quente. Eu vi a carne esponjosa.
Pensei no meu almoço.
Lembrei que minha avó já comeu
carne de pombo diversas vezes
quando morava na roça.

Fiquei nauseada.

O sinal ficou vermelho.

Os carros pararam e o pombo também era só vermelho.
Do outro lado da rua,
uma mulher sem o braço direito.
Cortado à altura da Vênus de Milos.

Não assobiava mais Trinity.
Não sentia mais fome.

Aí, eu pensava insistentemente:
Para onde foram os membros decepados?
E que seqüência estranha na minha caminhada.

Cheguei no PF. Puxei um banquinho.
O local estava cheio.
Pedi uma refeição.
Lá, um prato de comida custa R$3,50.
O chão é sempre imundo
e o cozinheiro se chama Sayão.

Estou sentada, novamente assobiando Trinity.
Começava a me esquecer do pombo
e dos membros decepados.
Olhei para o lado e havia uma mulher
com a boca virada para a direita.
Quer dizer, o rosto era deformado
e todo voltado para a direita.
Respirei fundo.
Senti pena da mulher.
E tudo veio à tona.
Uma mulher se sentou a minha
frente. Pediu um refresco de abacaxi.
Pensei em pedir um, até o momento em que ela virou
o copo e eu pude ver algo preto,
igual a uma mosca boiando no fundo.
Decidi não beber nada.

Engoli a comida o mais rápido que pude
e voltei para casa por um caminho
diferente ao da ida.

Falando assim, parece papo de escritor
.... criando historinhas.

Mas para mim, a realidade é uma coisa inventada.
Nem sempre acredito nas improbabilidades do dia.


*That´s all folks*

2 comentários:

Mão Branca disse...

hahaha, fera. não creio que vc conhece trinity.
adoro essa música.

bem, nem pude te avisar, mas vc esteve como convidada no bar no dia 20/09. www.bardoescritor.net e tb hoje como notícia no meu blog.

e continuo sem achar seu livro em brasília.

beijos

ana paula maia disse...

Opa! Que bacana. Vou conferir o blog.
Quanto a Trinity... eu estou sempre assobiando esta música.

pô, encomenda o livro numa livraria. Desse jeito, vc consegue.

bjs