sábado, setembro 09, 2006

Do que falam os astronautas?

Hoje saiu uma matéria no caderno Prosa&Verso, do jornal O Globo, sobre correspondências entre escritores. São cinco duplas. Emails bem diferentes. E todos falam sobre literatura. Uns mais outros menos. Do que falam os astronautas? Sei que as manicures falam sobre desgraças, crimes e gostam muito disso. A mãe do anti-cristo será uma manicure, daquelas que arrancam bife e guardam o alicate dentro do sutiã. Tirando as manicures, acredito que muitos astronautas falam sobre astros. Ficam ali confabulando se Plutão merecia ou não o rebaixamento. Então, aqueles que escrevem, ficam ali confabulando parágrafos, tristezas, solidão e aquela angústia de que nada está bom. É que se os escritores achassem tudo bom, eles seriam outra coisa. Astronautas, talvez. Olhariam para o céu e não para os semelhantes ou para si. Afinal, por que escrever? É o nome do artigo que entra no blog Paralelos do Globo.com, na próxima semana, acho.

Se tudo estivesse bem com os escritores, eles confabulariam com as manicures e acreditariam que miséria humana é bom assunto pra mais um dia de expediente. Mas escritores especulam essas manicures a ponto de se angustiarem e depois colocar tudo em letras no papel. Esse é o nosso problema. Somos uma espécie contemplativa. Cheia de dores, pontadas e fisgadas onde ninguém mais tem. Ao invés de sentarmos à mesa e comermos o banquete, a gente se contenta com um pedaço de bisteca e não perdemos um instante sequer do que acontece na hora do jantar. Alimentando a curiosidade e nos fartando dos outros.


Dia desses, num papo via MSN, me disseram isso aí logo abaixo. Não vou dizer o autor, ele se diz tímido, pode não gostar. Mas há dias que procuro por eles, os que estão no campo, seja no andar de cima ou do outro lado do monitor.


“Sabe... quando eu leio o que você escreve parece que eu ouço uma cantora de voz rouca, cantando um blues pesado e melancólico que precisa atravessar grades e chegar aos ouvidos dos que estão no campo pra que eles sofram menos”.



*That´s all folks*

10 comentários:

Roberto Queiroz disse...

Ana, não sei do que falam os astronautas. Talvez do rombo da camada de Ozônio, que a cada dia está maior.rs... O que sei é que os escritores de hoje (diferentemente dos clássicos), falam dessa sociedade caótica que está por aí, recheada de talentos fabricados, figuras decorativas em corpos humanos, rodeadas por tragédias constantes (tsunamis, Suzanes Richthofens, entre outros males). E, no meio disso tudo, estamos nós, pobres mortais e os escritores. Uns se calam. Outros, escrevem. Abraços do crítico da caverna cinematográfica.

Anônimo disse...

Não sei se gosto de crimes, desgraças, fome e destruição...
Mas concordo com você, em que muitos escritores se espelham nisso pra escrever, entretanto a arte tem que refletir o que se passa em volta, do contrario seriamos taxados de camufladores da realidade... ou não?
Um beijo.

Diogo Costa disse...

De fato, esse é um ponto que já vi você mencionar aqui...
Concordo com todos os posts, e acrescento que a questão é de longe panfletária, apenas ela o é: um caos.

E isso reflete na literatura da "nova" geração de escritores:
não há mais espaço para finais felizes.

E isso você faz muito bem, literatura pauleira excelente, sem exageros, na "desmedida" certa.

Abraço.

ana paula maia disse...

Valeu pelos comentários! Tá tão bom que se eu comentá-los, estrago.

bjs

Marcelo disse...

Tomei um susto qdo vi meu nome no seu email (rs)

Nomadsoul disse...

quanto a plutão, otimo chute.
outro dia conversava com uma ex-namorada minha. enquanto namoravamos , ela era uma menina normal. Agora faz astronomia. e conversamos muito a respeito disso. Algo que eu realmente nunca imaginei que iria conversar com ela...
fatos da vida...

Ah...e ela me falou que só se fala nisso entre os colegas dela.

Karen disse...

Li teus dois blogs. Mas não os li inteiramente. Não tive tempo de fazer isso da forma devida e merecida.
Sem antes perguntar se não te importarias, publiquei-os em meu blog. Cabeças pensantes, pensei, merecem ser disseminadas. Coisa rara, convenhamos. Se não há outra forma de colocar em evidência as idéias e ideias de outras pessoas, que seja da forma que achei conveniente. Eu não gostaria de impor o que penso e nem o que gosto. Apenas deixei 'disponível' e, conforme o interesse, as pessoas podem vir a acessá-los.

Espero que não te importes. Eu, ao contrário, não escrevo há tempos. Infelizmente.

Parabéns pelo teu trabalho.

Karen disse...

Li teus dois blogs. Mas não os li inteiramente. Não tive tempo de fazer isso da forma devida e merecida.
Sem antes perguntar se não te importarias, publiquei-os em meu blog. Cabeças pensantes, pensei, merecem ser disseminadas. Coisa rara, convenhamos. Se não há outra forma de colocar em evidência as idéias e ideias de outras pessoas, que seja da forma que achei conveniente. Eu não gostaria de impor o que penso e nem o que gosto. Apenas deixei 'disponível' e, conforme o interesse, as pessoas podem vir a acessá-los.

Espero que não te importes. Eu, ao contrário, não escrevo há tempos. Infelizmente.

Parabéns pelo teu trabalho.

ana paula maia disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
ana paula maia disse...

Valeu mesmo Karen!! Apareça sempre que quiser e divulgue o quanto quiser.

bjs.