terça-feira, outubro 03, 2006

Jack só queria ser eterno e cantava para as estrelas.


"...Gostei mesmo daquela estória. O autor assinava com o mesmo nome do personagem. Não era um conto muito grande, o JackHelm é um sujeito que acorda um dia completamente frustrado com o mundo e decide recuperar o tempo perdido, a verdade é que ele já vem frustrado há um bom tempo mas a estória já começa daí. Ele sai do emprego tira todo o dinheiro do banco encerra suas contas vende tudo que pode compra uma Harley Davidson que era o sonho de sua juventude uma jaqueta de couro e um par de botas cai na estrada sem rumo se sente extremamente feliz e no caminho ele fica refletindo sobre tudo aquilo. É um tipo bem inteligente e sensível. Diz que a melhor coisa é não precisar se importar com o dia seguinte mas viver hoje para ser eterno amanhã ou algo parecido. Em cada lugarejo que pára é bem recebido, arruma um trampo de mecânico ou num bar pulguento qualquer e à noite sempre se senta num canto isolado pra tocar sua gaita que ele ganhou do avô quando era garoto. Aquela coisa da gaita é mesmo muito legal e no final ele sempre consegue seduzir alguma mina da cidade com o som de sua gaita mágica.

"Sob um céu forasteiro e ardente, Jack tocava sua gaita melancólica direto para as estrelas. Cada sopro vinha direto da alma e ele sabia que aquele som ecoaria pelo espaço por toda eternidade. Jack queria ser eterno. E ele ecoava pelos espaços."

Mas ele acaba sendo atropelado por um caminhão e morre. A coisa toda termina desse jeito de um jeito meio triste. Ele estirado na estrada com um sutil sorriso nos lábios. Na última página tem apenas uma frase:

"Antes esmagado por um caminhão, montado numa Harley, do que enforcado com o nó da gravata sobre a mesa de trabalho".
1977.

Sei que é um troço doido de se gostar mas eu gostava mesmo daquilo. Lendo a coisa toda via-se que era um sujeito e tanto. Particularmente nunca tive ídolos nem nada essa coisa de tietagem não é comigo mas tem uns e outros que fazem a gente vibrar pra valer. Eu até comprei uma gaita por causa disso. Já que não tenho a coragem do Jack pelo menos tenho a gaita juro que é uma troço legal de se ter. Sempre arranho um blues e outras pra lá de regional umas coisinhas meio caipiras confesso, mas deixo rolar".

[Trecho do livro "O Habitante das Falhas Subterrâneas" _ ana paula maia]


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*That´s all folks*

5 comentários:

Diogo Costa disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Diogo Costa disse...

A cada dia apreciando mais.

E esse livro teu, já tem um futuro comprador. Está na lista. Esse mês acabou cedo pra mim, mas próximo, quero um.

Abraço,

Diogo Costa.

Luís Fernando disse...

Buenas.
Ana Paula, gostei muito do seu blogue. Tanto que o linquei no meu.
Você é mesmo muito talentosa.
Se cuida.
29 beijos.

ana paula maia disse...

Ah... vou cobrar hein, Diogo!

E Luís Fernando, valeu mesmo pela visita. Volte sempre!

Diogo Costa disse...

Quanto ao livro, tranquilo.

Te enviei um e-mail.

Abraço.