quinta-feira, outubro 05, 2006

Sanguinários vingadores contra cruéis criminosos.


As verdadeiras relíquias, aquilo que é precioso para alguns e lixo pra outros, aquilo que remexe com as lembranças… bem, tudo isso está na sessão de filmes da madrugada da Rede Globo. Assim, sem mais nem menos, “Desejo de Matar”, com Charles Bronson. Antes, havia sido “Perseguição Mortal” com ele e o Lee Marvim. E antes ainda, Braddock. Eu gosto muito de Braddock, o resgate. Eu realmente gosto deste filme e acho hilário de tão violento. A coisa extrapola. Na verdade, esses sujeitos estão ficando cada mais vez mais raros no cinema. Agora, eles estão ficando muito engraçadinhos e os diálogos estão melhorando. Gosto dos diálogos toscos, (principalmente quando dublado). No Desejo de Matar, o Charles Bronson estava sendo dublado com a mesma voz do dublador do Silvestre Stallone. Sendo assim, a coisa ficou ainda mais tosca, vendo o Bronson dublado pelo Rock, o lutador.
A explicação está no passado. É lá que busco justificativas para o hoje. Eu sou uma moça comedida, que faz as unhas, heterossexual, e politicamente correta. É sério mesmo. Porém fui criada com irmão mais velho e tínhamos um trato. Eu o acompanhava nas sessões “filmes de macho” e ele me acompanhava nas sessões filmes de terror. Ele não tomou gosto pelos filmes de terror ou por coisas exdrúxulas, porém eu cresci com o Chucky Norris, o Bruce Lee, Steven Seagal e o pai de todos, Charles Bronson. Me afeiçoei a eles mais do que às tias da escola. Provavelmente, isso causou um certo distúrbio em minha personalidade e um desvio de caráter, talvez. Está aí o folhetim pulp ENTRE RINHAS DE CACHORROS E PORCOS ABATIDOS para não me desmentir. E o meu novo livro, ainda inédito, A Guerra dos Bastardos, fez minha mãe me olhar enviesado. São resquícios da tenra infância.
Sou capaz de matar moscas, baratas, formigas, joaninhas, mas nunca algo maior que um rato. Sendo assim, sou capaz de matar alguma coisa, porém se você é maior do que um rato, não tema.
A maioria dos literatos tem suas referências cinematográficas em Goddard, em Truffaut, em Fellini, Buñuel, ou outras coisas mais sofisticadas. Declaro meu amor ao Buñuel, o homem era genial. Um dos meus prediletos. Mas não me esqueço de outras coisas. Andar em cinemas alternativos, que exibem filmes franceses com legenda em inglês é mesmo divertido. Eu entendo os dois idiomas. Dá pra assistir ao filme e ri das piadas, mas aquele ar pedante que você encontra entre essas pessoas, me diverte mais. Aquela altivez de espírito e mente. Aqueles que gostam de mostrar que realmente entenderam o que assistiram. Que comentam em voz alta a piada francesa que só os franceses entenderiam, pois é uma piadinha local.
Não sou intelectual e entendo muito pouco de tudo. E no pouco, entendo que a maioria dos artistas devem declarar seu amor ao Goddard ou coisa que o valha. Nada contra ele, só estou usando-o como referência. É o boi de piranha da vez. Às vezes, nesses meios temos medo de dizer, “Hein, você assistiu “Nico, acima da lei”? Haha. É sério. E alguém diz, Ah... não me diga que VOCÊ gosta de uma coisa dessas?
Juro, que na maioria das vezes, tenho a impressão de traficar pornografia pela Internet. Parece muito, mas muito feio mesmo, você dizer que assistiu ao Diário de Sabrina Sato, no Super Pop. Valha-me Deus. Sei que muitos preferem ela ao Charles Bronson, porém, o que me impede de assistir a filmes considerados B? Se muitos desses intelectuais entopem o bucho de fast food ou ingerem uma quantidade sem vergonha de álcool, não seria o mesmo que se entupir de filmes B? Assistir a Braddock ou ir ao McDonald, meu filho, no fim das contas é junkie de qualquer maneira. Agora encarar os dois ao mesmo tempo... aí é para profissionais.
Ah... assisti aos filmes: Night Listener, Cheech e Xifópagos e Roqueiros, no festival do Rio. Este último, pra quem curte um rock´n´roll à moda de Sex pistols e bizarrices à la David Linch vai gostar. E Night Listener, com o Robin Williams e Toni Collett é bom demais. Já o Cheech, ainda tô tentando entender.
*That´s all folks*

2 comentários:

Heartbreak Hotel disse...

Os filmes do Bruce Lee não entram nessa sua lista? Quando era garoto, eu fiz até um altar pro cara, com vela e tudo. Tem também os do Van Damme e outros clássicos como Retroceder nunca, render-se jamais. Na minha rua, a gente enchia as garrafas de refrigerante de dois litros com areia para ser o saco de boxe e colocava cimento naquelas latas de leite Ninho para fazer os pesos, mas a coisa mais esdrúxula que nós fazíamos era encher alguns vasos com areia e acender uma fogueira embaixo para a areia ficar quente e a gente ficar colocando a mão lá dentro, igualzinho os caras faziam no filme Operação Dragão, do Bruce Lee. Ô tempo bom...

Roberto Queiroz disse...

Outro dia desses parei para me perguntar por onde andam os durões do cinema. Dirty Harry? Charles Bronson em Desejo de Matar? Terry Savallas em Kojak? Esquadrão Classe A? Starski & Hutch? É. O cinema mudou. E mudou muito. Saem os valentões e entram os metrossexuais. Se mudou para melhor ou pior, ainda não cheguei a uma posição definitiva. O futuro dirá. Abraços do crítico da caverna cinematográfica.