terça-feira, maio 29, 2007

Não eram balas de festim.

Aqui no Brasil a simulação é pra valer. Sensacional, não?
Já não basta a merda toda que atola os pés da população. De todos nós. Temos pouca notícia sobre tiros e mortos, a polícia civil de Mato Grosso quer estrear as páginas policiais também. Como assim? "Ô, babe, a gente simula, certo? Mas simula pra valer". Então durante uma simulação de um sequestro em que os policiais deveriam praticar como negociar com bandidos, eles atiram em crianças e professores que estão numa sala de aula. Simulação com munição de verdade. Não eram balas de festim.

Pois é. Que ridículo. Que vergonha. Que desprezo sinto cada vez mais pela polícia. Beh! Se a metade tivesse a dignidade dos Bastardos do meu livro, teríamos uma polícia digna. Pois os meus degenerados jamais fariam tamanha cagada.

E eu trabalho no campo da especulação, do simulacro, pura ficção.

Na vida real quando os bastardos matam, não dá para apagar o parágrafo e escrever de novo. Quando matam, é de verdade. E no mundo real os degenerados são em maior número e com grau menor de humanidade.

Por isso meus bastardos gostam mais de faças e machados. É mais difícil de errar o alvo. Eles nunca erram. Mas lá eu apago e escrevo de novo. Fuzis nas mãos da incompetência é irreversivel.


"Gerson tira sua camisa ensangüentada e coloca-a dentro da bolsa. Limpa, com uma toalha, o sangue respingado pelos braços, rosto e pescoço. Veste uma camisa jogada no chão do banheiro, quatro vezes o seu tamanho, e sai do prédio sem que ninguém perceba um homem carregando uma bolsa preta de couro, um veado empalhado, vestindo uma camisa quatro vezes o seu número. É mesmo uma rua bastante tranqüila".
[trecho A Guerra dos Bastardos]



*

Hoje é dia de Prosa nas livrarias.




*That´s all folks*

Um comentário:

Glazz disse...

O que é curioso é uma polícia que consegue matar inocentes até em uma simulação. É incompetência de sobra.