segunda-feira, outubro 09, 2006

"Me debrucei novamente na janela pra sentir o vento frio bater na espinha e congelar minha alma. Olhei lá pra baixo e pensei que seria melhor pular da ponte de uma vez pra ver se alguma coisa mudava.

Ariel, o quê que você vai fazer? Eu disse que talvez me alinhar com as estrelas e criar porcos. Mas ele não me ouvia acho que estava ficando com aquele negócio da surdez de novo igualzinho quando criança. Deitou novamente na cama acendeu um cigarro e perguntou baixinho, Você tá molhado, Ariel? Caí na privada, respondi.

Ele não costumava fumar mas não quis enchê-lo com nada não. Deixei ele lá surdo e enfumaçado saí da janela peguei uma roupa limpa na gaveta sem fazer muito barulho e um travesseiro no armário. Antes de sair do quarto parei na porta e olhei pra ele, me lembrei daquele filme Paris,Texas e tudo por causa daquela maldita luz neon que deixava tudo tão triste e nostálgico quanto qualquer um possa ser.

Ele falou baixinho e rouco, Boa noite, garoto, você é ótimo. Ele me achava ótimo, se não fosse pela situação eu teria morrido de rir, mas conhecendo o Danilo, ele jamais faria piadas numa situação como essa".

[Trecho O Habitante das Falhas Subterrâneas _ ana paula maia]
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*That´s all folks*

Um comentário:

thiago picchi disse...

Ana Paula,
Fui pesquisar o verbo, "debrucei", assim mesmo no pretérito perfeito, no "Terra", pois o google não queria entrar, e apareceu como primeira opção um trecho do seu livro. "Os astros..."
Beijos,
Thiago